Um dia recebi um e-mail de um cara que, depois de ler o primeiro texto sobre a juventude, sentiu-se inspirado e escreveu um outro texto, falando mais ou menos sobre o mesmo assunto. Acontece que a história foi tão interessante para ele, que este escritor - chamado aqui por Guto - não parou mais, e continuou escrevendo. A seguir, sua série intitulada "Reviravolta", onde é mostrado um certo desconforto em relação a... tudo. Desde o Escatológico Capítulo 1 à semi-redenção do desfecho, divagante como Neil Gaiman na consagrada série "Sandman" e conciso e um tanto perturbador como Augusto dos Anjos, "Reviravolta", por Guto.
Reviravolta - Capítulo 01
Das palavras contidas nestas linhas não me responsabilizo por nenhuma, pois estarei colocando aqui todo o vômito criado pelos dias em que estive morto... Dos segundos em que cheguei a pensar em como falar de mim mesmo, descobri que foram horas perdidas, pois ninguém sabe o que é, e muito menos quem pode ser... Se alguma coisa aqui ficar atravessada na sua garganta, me avise, pois quero sentir o prazer de ver um infeliz agonizando, seu fraco!!! Não sou homem, nem mulher, sou um mestre em se escravisar nos próprios medos, estes que ignoro... Do meu coração não poderás esperar nada, sendo que este não existe, sou um objeto dessecado. Sei que é difícl aceitar, mas, que palavras podem contar uma história bonita, vindas de uma coisa tão bizarra? Garanto-lhe que irá tornar-se uma pessoa mais rude depois de ler isto, estarei fazendo parte de sua mente...
No instante em que olhei ao céu pra contar as estrelas, cometi um grande engano, pois as nuvens cobriam a esperança de encontrar alguma luz. E, depois dessa decepção, fiquei triste, olhei pra frente e continuei caminhando... A rua, como sempre, andava vazia para mim, apesar da imensa população, eu não fazia parte do todo. Caminhava em linha reta, pois sempre acreditei que deveria continuar no mesmo sentindo, não importando as angústias... Na verdade sempre parei quando estive com medo, mas agora, mesmo estando no mato sem cachorro, continuo a olhar as nuvens trovoantes que fazem do horizonte uma grande festa de luzes, comemorando a minha decepção. Convenço a minha emoção, crio cenas que ninguém pode ver, faço da vida uma imensa peça de teatro, onde sou o personagem principal, o palhaço... Não me acham engraçado, mas encontro-me na opnião de achar-me ridículo e sabe o porquê? Pois não cumpro nenhum pouco daquilo que digo. E não ridicularise a verdade, dizendo que isto é uma característica humana, não vença a sua vontade de ser o que é, pois é esta quem vai lhe garantir uma boa morte. Eu, que estive morto garanto, é melhor viver vivo...
Mas, ora pois, que dúvida é esta? Vou me esquecer dela... Porém, alguma outra coisa tem que vir ao seu complemento, e que seria .... o que seria? Vou botar pra fora algo sincero, aquele mesmo de outro tempo: - Guto, a cada dia nasce um pouco, Guto, este que inúmeras figuras representa, está entre todos ao tempo que ninguém o percebe, está estre cada linha desta e a cada dia de sua vida, você mesmo que lê... Sim, mas que coisa tão fraca pra um homem sem medo, que posição tão fácil pra um guerreiro das trevas, um morto sem nome, um homem sem luz. Não medito nestas, pois me fazem esquecer do céu, as nuvens o esconde, mas a lembrança nunca morre, mas ao mesmo milésimo de instante recordo todo o mundo, tudo aquilo que vive. E 2 milésimos de instante depois relembro que a lembrança não é vida... Porém toda regra tem exceções, sendo assim, muitos loucos vivem daquilo que já foi, ou do que poderia ser...
Ahhhh, acordei depois de um tropeção, que me fez colher aquilo que parecia uma terra sem palmeiras, depois de ver as minhas próprias fezes e descobrir que havia comido mal... Que lixo intoxicante, por qual motivo me levou a procurar estas ou aquelas? Não importa, talvez seja possível que tudo volte, mas não será a mesma coisa... Tudo muda, enclusive o vômito, depois de atirado no chão e observado de perto... Venho a ver que tudo parecia uma mera ilusão. Mas, iludidos são aqueles que não se deixam levar pelas mais remotas possibilidades, são aqueles que vivem na frieza da vida normal e na esperança de um dia morrerem... Mortos se encontram e assim cadáveres são, ora pois, talvez por isto que os outros não me vejam, pois desiludido sou da vida e não a vivo, mas a aceito. Acredito que o impossível não exista, ao menos ao que idolatram a sua magnitude. Enfim suspiro, e insiro nesta linha o golpe de misericórdia ao leitor: Tudo acabou...
23:56 25/3/2005 Guto